segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Contundente palestra do Prof. Martin Pall da Univesridade do Estado de Washington

A discussão sobre os possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos de altas frequências sobre o organismo humano vem ganhando vozes de peso nos últimos anos e que afirmam categoricamente que tais campos são prejudiciais ao ser humano, contradizendo o que vem sendo defendido pela Organização Mundial da Saúde e ICNIRP ao longo dos anos.
A última manifestação importante neste sentido e que faz soar o alarme sobre o potencial risco dos campos eletromagnéticos (CEMs) sobre a saúde humana foi dada recentemente pelo Professor Martin Pall, PhD, pesquisador na área de Bioquímica e professor de Ciência Médica Washington State University.
O professor Pall vem conduzindo ao longo dos anos pesquisas sobre os efeitos potenciais da exposição de organismos vivos aos CEMs e até então não tinha se manifestado de maneira tão contundente como o fez em uma palestra recente proferida em Oslo na Noruega e que pode ser vista abaixo.


sábado, 22 de novembro de 2014

Qual é a Periodicidade para a Medição de Campos Elétricos e Magnéticos de Baixa Frequência em Subestações, Usinas e Linhas de Transmissão ?


Uma das perguntas recorrentes feitas à EMField por agentes do setor elétrico: Qual é a periodicidade das medições de campos elétricos e magnéticos de baixa frequência em subestações, usinas e linhas de transmissão. Este breve texto apresenta a resposta. 

A Resolução Aneel 398 de 2010 estabelece os critérios para a realização das medições de campos elétricos e magnéticos em instalações do setor elétrico, cumprindo assim o estabelecido pela Lei Federal 11934 de 2009. Empresas com instalações de tensão igual ou superior a 138 kV devem realizar a medição dos campos gerados por suas instalações ou o cálculo (simulação computacional) dos mesmos e encaminhar à Aneel os relatórios técnicos contendo os resultados dos estudos. Tais resultados, publicados na internet permitem aos trabalhadores das empresas ou à população conhecer os níveis de campos aos quais estão expostos. 

A Resolução 398 de 2010 não estabelece uma periodicidade para as medições. Entre a sua publicação e junho de 2014 a EMField sempre orientou seus clientes a só repetirem as medições caso suas instalações sofram algum tipo de modificação física ou elétrica após a primeira avaliação o que irá alterar os níveis dos campos elétricos e magnéticos gerados pelas mesmas. 

Em 01 de julho de 2014 a Aneel publicou uma nova Resolução referente ao assunto “campos eletromagnéticos”. Trata-se da Resolução 616 que altera algumas premissas e omissões da Resolução 398 de 2010 e responde à questão tratada neste texto. Abaixo é apresentado o artigo da Resolução 616/2014: 

“Art. 5º-A Na hipótese de haver alterações nas características das instalações com tensão igual ou superior a 138 kV que impliquem em alteração dos campos elétricos ou magnéticos emitidos por essas instalações, os agentes de geração, transmissão e distribuição responsáveis pelas instalações devem encaminhar à ANEEL, em até 90 dias após a entrada em operação em carga, o memorial de cálculo ou o relatório das medições dos campos elétrico e magnético, contendo os dados relacionados no Anexo, devendo também ser observados os procedimentos estabelecidos nos §§ 1º a 5º do art. 5º e no art. 6º, quando aplicáveis.”.

Ou seja, a Aneel oficializou o que a EMField já orientava a seus clientes: não existe periodicidade para as medições e cálculos. Novos estudos serão necessários apenas em caso de alteração das instalações.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Curitiba - Decreto simplifica autorização para operação de estações de telefonia

A nova legislação municipal que regulamenta a instalação de estações de telefonia celular está em vigor há sete meses e permite simplificar o trâmite técnico dessa autorização. De março para cá, a Secretaria Municipal de Urbanismo notificou as empresas para que regularizem, segundo as novas normas, 114 estações. Mais seis novas licenças foram concedidas para instalação, ou operação de estações.
Para ajustar os procedimentos e esclarecer dúvidas das empresas, a Secretaria Municipal de Urbanismo organizou uma reunião nesta segunda-feira (27) com representantes de empresas de telefonia e do sindicato nacional que representa a categoria.
O novo decreto estimula o compartilhamento de antenas entre operadoras, atendendo a critérios urbanísticos e ambientais. Curitiba tem hoje 482 pontos compartilhados de antenas e 302 não compartilhados. A nova legislação garante ao usuário melhores condições de acesso ao serviço de telefonia celular e uma cobertura melhor na cidade. A regulamentação foi debatida com vários setores da sociedade e aprovada por unanimidade na Câmara Municipal de Curitiba
O decreto – em vigor desde 11 de março de 2014 - reduziu prazos na tramitação e liberação dos pedidos de licenciamento, com a unificação dos processos na Secretaria de Urbanismo. “A nova legislação representa um avanço para as tecnologias 4G e 3G na cidade”, disse o secretário municipal do Urbanismo, Reginaldo Cordeiro.
O monitoramento e a fiscalização a partir do decreto estão sendo feitos apenas em caráter de orientação, sem aplicação de multas. Todas as antenas que estavam anteriormente irregulares podem ser regularizadas.
Pela nova legislação, a abrangência da telefonia celular atinge em torno de 90% do território municipal. Além disso, fica autorizada a colocação de antenas em praticamente 80% da área da capital – nas outras áreas da cidade, a liberação ficou a critério do Conselho Municipal de Urbanismo, que irá analisar caso a caso. O decreto define parâmetros urbanísticos para a instalação das antenas e determina como serão feitos os licenciamentos na cidade.
Alinhamento
O encontro organizado nesta segunda-feira pela Secretaria Municipal do Urbanismo foi marcado com o objetivo de agilizar licenciamentos e processos de instalação das estações. Durante a reunião, representantes das empresas Tim, Vivo, Oi e Claro esclareceram dúvidas com técnicos do Urbanismo sobre regularização de ISS, renovação de licença de operação e documentação.
“É de grande importância este encontro de discussão entre o poder público e as empresas para um alinhamento de diversas questões”, disse o diretor de infraestrutura da SindiTelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e Serviço Móvel Celular e Pessoal), Ricardo Dieckmann.
O decreto municipal 91/2014, que regulamenta a Lei Municipal nº 14.352/2013, foi construído com a participação ativa tanto do poder público quanto do segmento de mercado.
“Esta reunião foi muito positiva para resolvermos dúvidas em relação à documentação exigida e entendimentos sobre regularização, o que permitirá agilizar processos”, disse Dieckmann.
O secretário Reginaldo Cordeiro comentou que a Prefeitura está sempre aberta ao diálogo com o setor para melhorar e aprimorar os procedimentos necessários. “O encontro mostra a importância que damos à transparência e à desburocratização”, disse.

A notícia original foi publicada na página da Prefeitura de Curitiba: link aqui.

Nota do blog: iremos analisar com cuidado o decreto e a referida lei municipal para expressarmos a nossa opinião sobre o assunto em breve.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Página Especial com Informações sobre Campos Eletromagnéticos

A EMField acaba de publicar em seu site da internet uma página totalmente dedicada a disseminar informações sobre campos eletromagnéticos e seus  possíveis efeitos sobre a saúde humana.
A página, destinada ao cidadão comum possui linguagem simples e informações diretas para quem quer se aprofundar no assunto. Os tópicos são os seguintes:
  • Tutorial explicando o que são os campos eletromagnéticos e suas principais características;
  • Apresentação da legislação brasileira sobre os campos eletromagnéticos;
  • Análise dos limites de exposição humana sugeridos pela Organização Mundial da Saúde;
  • Como são definidos os limites de exposição da OMS;
  • Visões conflitantes sobre as conclusões da Organização Mundial da Saúde;
  • A necessidade das medições e da análise de campos eletromagnéticos;
  • Glossário com os principais termos encontrados na literatura técnica sobre o assunto para quem queira se aprofundar.

O link para a página da EMField é o seguinte: http://www.emfield.com.br/Exposicao.htm

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Campos magnéticos influenciam positivamente na reprogramação celular

Foi publicado recentemente um interessante artigo científico com os resultados de uma pesquisa que investiga os efeitos dos campos magnéticos na reprogramação de células adultas. O trabalho foi desenvolvido por um grupo composto por pesquisadores norte americanos e coreanos.
A pesquisa avaliou o efeito de campos magnéticos de baixa frequência na transformação de células adultas de ratos em células tronco pluripotentes (células pluripotentes estaminais). As célula em estudo foram submetidas a um campo magnético (densidade de fluxo magnético)  de 1 mT em frequências de 10 Hz, 50 Hz e 100 Hz. A exposição a campos de 50 Hz resultou em um aumento impressionante de reprogramações celulares de 30 vezes. Outro resultado interessante é que as células não expostas ao campo magnético terrestre (geomagnetismo) deixaram de apresentar reprogramação apesar de todos os outros fatores que propiciam o fato terem sido mantidos (temperatura, acidez, etc).
O mecanismo de interação entre o campo magnético e as células ainda não foi totalmente compreendido. Se confirmados os resultados da pesquisa, além de contribuir com os estudos sobre os efeitos dos campos na saúde humana haverá ainda uma grande contribuição nos estudos dos efeitos da ausência do campo magnético terrestre na saúde dos astronautas. O artigo pode ser lido clicando aqui.



Estufa utilizada na pesquisa, as bobinas geradoras de campo magnético são os componentes vermelho e azul. Os créditos da foto são de Jongpil Kim

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

MOBILIZE - Um filme sobre os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares e seus supostos impactos na saúde humana



Foi lançado em setembro de 2014 , na Califórnia, Estados Unidos o documentário longa metragem Mobilize que trata dos possíveis efeitos das radiações eletromagnéticas geradas por telefones celulares sobre a saúde humana. O filme apresenta os últimos avanços científicos sobre o tema e os desafios políticos e econômicos que pressionam a discussão.
Mobilize foi dirigido por Kevin Kunze e produzido por Devra Davis, Ellen Marks, e Joel Moskowitz.
Abaixo pode ser visto o trailer do filme.


domingo, 28 de setembro de 2014

Não coloque o seu iPhone6 no forno micro-ondas

Existe uma notícia circulando na internet de que é possível carregar o novo telefone IPhone6 no forno de micro-ondas devido a um dispositivo interno aparelho. Segundo a notícia o telefone deve ser inserido no forno em potência máxima por 1 minuto e meio. O campo eletromagnético do forno induziria uma corrente elétrica no "dispositivo" interno do aparelho carregando a bateria.
Para quem tem conhecimentos técnicos a notícia chega a ser engraçada tamanha é a impossibilidade do fato, porém para leigos, com toda a tecnologia atual o fato pode chegar a ser factível.
Alerto, não insira o seu telefone no forno ligado, o aparelho será destruído imediatamente e eventualmente o forno também após algum tempo!!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Qual é o campo eletromagnético na Avenida Paulista?

Muito se fala sobre os campos eletromagnéticos intensos presentes na Av. Paulista em São Paulo. O local possui diversas estações transmissoras de rádio e TV e por isto é considerada a região brasileira com a maior poluição eletromagnética.
Recentemente fiz algumas medições na Av. Paulista usando um medidor do tipo sonda isotrópica de banda larga com reposta em frequência de 100 kHz a 5 GHz. As medições foram realizadas no canteiro central da avenida em um domingo, dia em que o trânsito é mais leve na região o que elimina distorções nas medidas.
A amostragem foi realizada em dois trechos:
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Av. Brigadeiro Luis Antônio;
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Rua Pamplona.
O maior valor medido foi de 8,50 V/m. Para efeitos de comparação o campo eletromagnético máximo medido nas proximidades de uma estação rádio base de telefonia celular é cerca de 2 V/m. Quem trafega pela Avenida Paulista está, portanto exposto a níveis razoáveis de campos eletromagnéticos (lembrando que a discussão sobre possíveis efeitos adversos à saúde humana ainda não foram comprovados pela ciência).
Provavelmente as pessoas que trabalham em edifícios altos e próximos às antenas transmissoras instaladas na região devem ser expostas a campos eletromagnéticos muito mais intensos.
Nas figuras abaixo são apresentadas imagens com os pontos de medição e o valor medido.


A indústria de telecomunicações se defende

A indústria das telecomunicações vem se defendendo ativamente dos ataques contra as afirmações de que telefones celulares e redes wi-fi causam problemas de saúde (especialmente câncer). No mundo todo as empresas, fabricantes de equipamentos e operadoras se mobilizam para defender seus interesses, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Neste último existe inclusive lobby formal no congresso americano sobre o assunto.
Uma das associações mais ativas é o MMF-Mobile Manufacturers Forum (link em português) que congrega fabricantes de equipamentos de telecomunicações. Com sede na Bélgica e escritório no Brasil a entidade indica que atua em 30 diferentes países.
Em visita ao site da instituição separei 3 documentos em português cujos títulos e links encontram-se abaixo:
[1] Uso de Telefones Celulares e Tumores Cerebrais: Últimas Revisões e Taxas de Incidência (link para o arquivo);
[2] Comentário sobre o BioInitiative Report 2012 (link para o arquivo);
[3] Implicações da imposição de limites arbitrários de exposição à radiofrequência na infraestrutura de comunicações móveis (link para o arquivo).
O documento [1] de maio de 2014 apresenta o ponto de vista do MMF sobre os últimos estudos publicados a respeito da relação entre tumores cerebrais e o uso do telefone celular. O documento cita apenas o resultado de algumas pesquisas, todas elas do tipo epidemiológica e que possuem as suas restrições particulares (vide post).
O documento [2] de janeiro de 2013 também apresenta o ponto de vista do MMF, desta vez sobre o relatório BioInitiative 2012, publicado por uma ONG americana chamada BioInitiative (link) e que faz uma revisão sobre os estudos relacionados à exposição humana a campos eletromagnéticos mantendo a opinião de que os mesmos causam problemas à saúde. A visão do MMF e da BioInitiative são conflitantes, baseadas em suas visões sobre o assunto e sobre as pesquisas, porém nenhuma das partes tem razão absoluta até o presente momento visto que a ciência ainda não chegou a um veredicto final.
O documento [3] faz uma defesa das estações rádio base (ERB) que são as estações de telefonia celular. Ele explica o funcionamento das ERBs, apresenta os níveis típicos de campos eletromagnéticos gerados pelas mesmas e argumenta a respeito da adoção de diferentes limites de exposição a campos eletromagnéticos dentro dos países da União Europeia.
Os documentos [1] e [2] não são assinados por ninguém, desta maneira suponho que os mesmos tenham sido escritos pelos membros diretivos do MMF, porém ao consultar o currículo dos 3 membros citados no site da instituição (em 25/09/2014) me deparei com uma surpresa: o diretor geral é formado em Direito e Artes, o diretor para a Europa, Oriente Médio e Ásia é formado em Direito e o diretor para a América do Sul é formador em Marketing. As entrevistas sobre o assunto disponíveis no site do MMF são todas feitas com o diretor geral da instituição, advogado.
Acho que os advogados são pessoas extremamente capazes, porém pergunto: onde estão os técnicos ou cientistas para fazerem uma defesa robusta e bem fundamentada do setor. Este tipo de comportamento por parte da indústria de telecomunicações é bastante comum e desabona em grande medida as suas opiniões. Não deveria ser uma opinião baseada em marketing (o que pode ficar aparente para algumas pessoas) e sim uma opinião técnica feita primeiramente por técnicos (e depois por advogados e marqueteiros).
Dos documentos o [3] apresenta um argumento que concordo plenamente que é a adoção de diferentes níveis de limites de exposição dentro de determinadas regiões. No Brasil este problema é grave, embora exista uma Lei Federal (Lei 11934/2009, link aqui) que regula o limite de exposição humana no país, diversas prefeituras e estados criaram legislações próprias, algumas com limites de exposição tirados ninguém sabe de onde e requisitos totalmente estapafúrdios sobre questões técnicas, embora algumas legislações sejam bem elaboradas e sigam o adotado no âmbito federal. Este tipo de situação faz com que empresas de atuação nacional tenham que respeitar um sem número de legislações conflitantes e sem respaldo técnico, aumentando a nossa já grande burocracia e o "custo Brasil".
Texto de Ricardo Luiz Araújo, engenheiro eletricista.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Governo da Austrália Publica Recomendação para a Limitação da Exposição a Campos Eletromagnéticos de Alta Freqüência

O governo australiano publicou recentemente um documento (nota técnica) indicando para a população medidas práticas para a redução da exposição a campos eletromagnéticos gerados telefones celulares, redes Wi-Fi e outros dispositivos "sem fio". A nota técnica foi elaborada pela ARPANSA (Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency - Agência Australiana de Proteção de Segurança Nuclear e Proteção Contra Radiação) e foi publicada em julho de 2014.
O interessante nesta notícia é o seguinte fato: a Austrália é um dos países que apoia financeiramente a ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes), entidade que defende até o presente momento que os campos eletromagnéticos de altas frequências não causam problemas de saúde. A postura oficial do governo Australiano é de prevenção caso algum problema seja identificado com as pesquisas futuras mais também pode indicar que os especialistas do mesmo começam a discordar em partes das opiniões da ICNIRP (diversos especialistas ao redor do mundo começam a discordar).
A nota técnica diz que em geral as pesquisas indicam no momento que os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares não são prejudiciais aos usuários, porém não existe certeza absoluta neste sentido em especial no que diz respeito à exposição de crianças pois poucas pesquisas foram feitas neste sentido, desta maneira são sugeridas medidas práticas para limitar a exposição.
Cópia do arquivo em PDF da nota técnica pode ser baixado clicando aqui. Coloco baixo uma imagem da capa do documento com a sua justificativa.
A notícia foi publicada originalmente no site da EMField Engineerindg do Brasil: www.emfield.com.br
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Efeitos dos Campos Eletromagnéticos na Saúde Humana - Qual a Origem das Incertezas?

As pessoas me perguntam com frequência qual é o motivo da incerteza acerca dos possíveis efeitos à saúde humana resultantes da exposição a campos eletromagnéticos apesar de todo o desenvolvimento tecnológico experimentado por nossa sociedade e apesar de tantas pessoas serem expostas atualmente à radiação eletromagnética artificial gerada pela atividade do homem.

Para compreendermos os motivos da incerteza que ainda permeia este assunto é importante termos em mente quais são as ferramentas utilizadas pela ciência neste tipo de pesquisa e suas limitações. Tais limitações levam a discussões acirradas por parte de cientistas, céticos, ativistas, órgãos governamentais, políticos e o setor produtivo. O debate fica, portanto sujeito a muita pressão, inclusive econômica.

Caso exista algum tipo de relação causal entre a exposição a campos eletromagnéticos e problemas de saúde, provavelmente a associação deve ser extremamente discreta, do contrário teríamos visto nos últimos anos uma disparada nos casos de doenças associadas ao uso do telefone celular ou alguns públicos específicos como os eletricistas seriam portadores de males específicos diferentes das médias da população em geral, o que ainda não foi detectado de maneira inequívoca. Este fator dificulta ainda mais as pesquisas.

A seguir são apresentadas as principais ferramentas empregadas pelos pesquisadores do assunto (deixei de fora as técnicas de simulação computacional) mantendo as três mais tradicionais com o objetivo de auxiliar na compreensão do público em geral sobre as incertezas que envolvem o assunto.

Pesquisas in vitro: neste tipo de pesquisa realizada em laboratório, células e tecidos humanos ou de animais são cultivados fora do organismo vivo. Algumas amostras são submetidas à exposição a um agente supostamente agressor (neste caso campos eletromagnéticos) e outras permanecem isoladas sem que nenhum agente agressor seja aplicado, sendo chamadas de amostras de controle. As amostras de controle são então comparadas com as amostras que sofreram algum tipo de stress em busca de alterações.
De maneira geral, a maioria das pesquisas in vitro apontam para a existência de efeitos danosos às amostras submetidas à exposição a campos eletromagnéticos. Algumas limitações da técnica devem ser levadas em consideração:
  • As células expostas aos campos eletromagnéticos não possuem a proteção oferecida pelo organismo vivo como um todo;
  • A absorção da energia eletromagnética é diferente para um tecido ou célula isolados em comparação aos mesmos inseridos em um organismo vivo. O mesmo ocorre com a dissipação de calor, o que é importante visto que o aquecimento pode ser uma das causas dos efeitos observados nos estudos e não a radiação eletromagnética propriamente dita.
Os céticos sobre os possíveis efeitos adversos à saúde humana causados por campos eletromagnéticos utilizam as limitações citadas acima aliadas a algumas outras questões como fatores que desabonam os resultados encontrados nos estudos in vitro.


Estudos in vivo: tais estudos são realizados com organismos vivos. Devido a questões éticas relacionadas à exposição intencional de seres humanos a radiações eletromagnéticas para fins de pesquisa este tipo de estudo é conduzido com animais, em geral, porcos, ratos ou coelhos. O estudo é realizado com a divisão dos animais em grupos mantidos nas mesmas condições. Um dos grupos é exposto aos campos eletromagnéticos e outro não (grupo de controle). Os dois grupos são comparados posteriormente em busca de possíveis efeitos da exposição.
Diversos estudos in vivo feitos por cientistas renomados apontam para efeitos como: problemas reprodutivos, comportamentais, surgimento de câncer e tumores dentre outros.
As interações entre os campos eletromagnéticos e organismos vivo são extremamente complexas, dependendo: do tamanho do indivíduo, do formato do seu corpo, de características elétricas do mesmo e outras. Isto faz com que efeitos observados em animais sejam de difícil extrapolação para o ser humano. Tal limitação é utilizada por céticos para desconsiderar ou minimizar as conclusões obtidas em estudos in vivo.

Estudos epidemiológicos: este tipo de estudo é conduzido com a população humana. Populações expostas a maiores níveis de campos eletromagnéticos são comparadas com populações pouco expostas em busca de problemas de saúde. A pesquisa é feita em campo com entrevistas ou o acompanhamento da saúde da população ou então com o cruzamento de informações contidas em bancos de dados, como por exemplo, censos populacionais, registros médicos, informações sobre mortalidade e outros. Alguns tipos de pesquisas epidemiológicas são extremamente sofisticadas pois exigem uma grande cautela na preparação, na coleta de dados e em extrapolações, além de serem de interpretação extremamente complexa.
A grande maioria dos estudos epidemiológicos apontam para a inexistência de relação causal entre a exposição a campos eletromagnéticos e problemas de saúde ou então algum tipo de relação sem consistência estatística. Algumas limitações dos estudos epidemiológicos são:
  • A possibilidade que alguns fatores fujam ao controle dos pesquisadores;
  • É difícil a comprovação de informações fornecidas por pessoas pesquisadas;
  • Grande mobilidade da população em alguns locais, dentre outras limitações.
Desta vez os pesquisadores crentes nos possíveis efeitos à saúde humana questionam os resultados dos estudos epidemiológicos alegando erros de procedimento, pouca aderência com a realidade e as limitações apontadas acima.
Como podemos observar, a discussão científica sobre o assunto possui defensores e detratores de cada ponto de vista. A discussão científica é feita com base em dados e comprovações, desta maneira a grande quantidade de pesquisas em andamento na atualidade, as já realizadas e aqueles que estão por vir devem nos fornecer em alguns anos (se tudo correr bem) a resposta para esta questão.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Comparação dos Níveis de Campos Elétricos Produzidos por Diferentes Fontes (em alta frequência)

Em geral as pessoas, por uma questão de percepção de risco temem as antenas de telefonia celular de maneira muito mais acentuada do que os seus próprios aparelhos móveis. Selecionei abaixo uma comparação entre os níveis de campo elétrico gerados por diferentes fontes. Observe quão grande é o campo gerado por telefones celulares e telefones sem fio quando próximos à cabeça do usuário (linhas 1 e 2 da figura) em comparação ao campo que incide em uma pessoa situada a 150 metros de uma antena de telefonia celular (linha 7 da figura).
As pessoas temem muito mais as antenas de telefonia celular do que os aparelhos devido ao que se convencionou chamar de "percepção de risco". A estação rádio base (ERB) com sua antena de grande  porte e sua parafernália elétrica e eletrônica impõe às pessoas uma falsa sensação de serem muito mais ameaçadoras do que um pequeno aparelho celular, quando na verdade o campo gerado por um aparelho celular é muito mais intenso do que o produzido pela ERB, obviamente devido à pequena distância entre estes aparelhos e o corpo do usuário.

Campos emitidos pro diferentes fontes

Estação de telefonia celular (ERB - Estação rádio base)
 
imagem: EMField

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Exposição Ocupacional a Campos Magnéticos de Baixa Frequência e Choques Elétricos x Mortes por Esclerose Amiotrófica Lateral

Na literatura médica, a ocorrência de casos de Esclerose Amiotrófica Lateral - EAL tem sido ligada às chamadas "ocupações elétricas" (eletricistas, técnicos,  engenheiros e outros profissionais que trabalham em instalações elétricas) sem que nada tenha sido comprovado.

Focados nesta hipótese pesquisadores realizaram uma investigação com base nos dados da SNC - Swiss National Cohort (base de dados suíça que promove o cruzamento de informações dos censos de 1990 e 2000 com registros de mortalidade de 1991 a 2008). A SNC é mantida pela Fundação Nacional de Ciência da Suíça.

Os pesquisadores cruzaram dados das mortes causadas pela Esclerose Amiotrófica Lateral com a matriz de profissões de pessoas expostas a campos  magnéticos de baixa frequência (gerados por redes elétricas) ou a choques elétricos. Ao todo foram examinados os registros de 2,2 milhões de trabalhadores comparando-se aqueles sujeitos a altas e médias exposições a campos magnéticos de baixa frequência  versus  aqueles expostos a baixos níveis utilizando-se o modelo proporcional de Cox.

A taxa de risco (hazard ratio ou HR) para trabalhadores com média e alta exposição a campos magnéticos ficou em 1,55 (com um intervalo de confiança de 95 % 1,11-2,15) e de 1,17 para aqueles expostos a choques elétricos (com um intervalo de confiança de 95 % 0,83-1,65).

A conclusão dos autores é de que existe correlação entre a exposição ocupacional a campos magnéticos de baixa frequência e a mortalidade causada por EAL.

Nota da EMField: como todos os estudos epidemiológicos deste tipo deve-se manter ressalvas com relação às conclusões pois eventualmente o público supostamente afetado por um agente pode ter sido submetido a algum outro fator não levado em consideração no estudo. Por Eng. Ricardo Luiz Araújo.

O estudo é intitulado "Occupational exposure to magnetic fields and electric shocks and risk of ALS:The Swiss National Cohort" e foi conduzido por Huss et. al.

Link para o abstract do artigo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25229273

Governo de Israel Cria Centro de Conhecimentos em Radiações Não inonizantes e Seus Efeitos Sobre a Saúde

O governo de Israel criou o Centro Nacional de Conhecimento em Radiações Não Ionizantes (campos eletromagnéticos) e Seus Efeitos à Saúde Humana que é amparado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Espaço e pela agência Nacional de Meio Ambiente do país.
O centro batizado de Tnuda (algo como oscilação em português) deve reunir a grande massa de dados existente sobre o assunto e emitir as suas opiniões com os seguintes objetivos: informar a população sobre possíveis perigos à saúde humana e orientar a gestão pública (governo, legisladores e agências governamentais) israelense na tomada de decisões sobre a necessidade de leis sobre o assunto, normas técnicas, ameaças à saúde pública e políticas de prevenção de risco.
O centro é dirigido pelo professor Sigal Sadetzky, diretor da Instituto Gartner do Centro Médico Cheba, autoridade reconhecida internacionalmente na pesquisa dos possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos na saúde humana.
O Centro Tnuda que foi criado em 2013 lançou no dia 09 de setembro de 2014 seu web site oficial que contém notícias, orientações para a população e dados sobre os seus trabalhos. O endereço do site é: http://www.tnuda.org.il  e seu conteúdo é muito interessante (embora escrito em hebraico). 
Diversos órgãos de outros governos já manifestaram interesse em traduzir o site para outros idiomas.
Em breve o Tnuda deve dar um importante passo com o início de pesquisas próprias a serem realizadas com a colaboração de pesquisadores e profissionais de diferentes instituições israelenses. 
As fontes originais da notícia são o jornal The Jerusalem Post e Centro Tneda.

A seguir são apresentadas algumas imagens tiradas do site do Centro Tnuda.


 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A população se rebela contra a instalação de medidores inteligentes de energia elétrica (smart meters)

Medidores inteligentes de energia elétrica conhecidos como “smart meters” são dispositivos destinados à medição de energia elétrica do consumidor de maneira on-line em tempo real. Os principais apelos da tecnologia são: a redução de custos (não existe mais a necessidade de alguém ir até a casa do consumidor para fazer a leitura como nos medidores atuais); redução na possibilidade de fraude no medidor; corte e religamento remoto do consumidor; monitoramento da rede elétrica e suas curvas de carga dentre outros. Benefícios válidos em geral apenas para as concessionárias. 
As companhias de energia monitoram os medidores inteligentes de seus clientes através de uma rede de rádio específica. Para este monitoramento os equipamentos possuem um transmissor de rádio e é justamente esta função que vem causando controvérsia. Embora os transmissores sejam de baixa potência a população teme que os campos eletromagnéticos gerados possam causar problemas adversos a saúde humana.
Frente a esta preocupação centenas de consumidores em países como Canadá, Estados Unidos e Inglaterra estão se negando a permitir que seus medidores convencionais sejam substituídos por smart meters. Diversas associações e campanhas foram criadas com o intuito de defenderem este direito dos consumidores.

Outras críticas aos medidores inteligentes são:


+ A pouca durabilidade dos medidores inteligentes (15 anos) frente aos longevos medidores convencionais;
+ Perda de privacidade uma vez que o consumidor pode ser monitorado ou até espionado em tempo real;
+ Possibilidade de elevação do valor das faturas com preços maiores para a energia consumida nos horários de ponta do sistema elétrico.



Além da medição de energia elétrica, existem ainda smart meters destinados ao faturamento de serviços como gás e água. Em breve a discussão deve chegar ao Brasil onde a instalação de medidores inteligentes possui um grande apelo devido à grande incidência de casos de furto de energia.
A seguir são apresentados alguns links da internet de páginas que pregam contra os medidores inteligentes:
http://www.refusesmartmeters.com/
http://stopsmartmeters.net/smartElectricityMeters.htm
http://emfsafetynetwork.org/action-now/
http://www.abeldanger.net/2012/04/smart-meter-fraud-deception-ending.html
http://www.bantexassmartmeters.com/2012/update-may-17-2012-puc-activity-stopping-smart-meter-installations/
http://stopsmartmeters.org.uk/leaflets-please-circulate/
(atenção: os fatos noticiados não representam a minha opinião sobre o assunto)

 Consumidor que trancou o seu medidor atual com medo da substituição de um smart meter (USA)


 Imagens de campanhas contra os smart meters