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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A indústria de telecomunicações se defende

A indústria das telecomunicações vem se defendendo ativamente dos ataques contra as afirmações de que telefones celulares e redes wi-fi causam problemas de saúde (especialmente câncer). No mundo todo as empresas, fabricantes de equipamentos e operadoras se mobilizam para defender seus interesses, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Neste último existe inclusive lobby formal no congresso americano sobre o assunto.
Uma das associações mais ativas é o MMF-Mobile Manufacturers Forum (link em português) que congrega fabricantes de equipamentos de telecomunicações. Com sede na Bélgica e escritório no Brasil a entidade indica que atua em 30 diferentes países.
Em visita ao site da instituição separei 3 documentos em português cujos títulos e links encontram-se abaixo:
[1] Uso de Telefones Celulares e Tumores Cerebrais: Últimas Revisões e Taxas de Incidência (link para o arquivo);
[2] Comentário sobre o BioInitiative Report 2012 (link para o arquivo);
[3] Implicações da imposição de limites arbitrários de exposição à radiofrequência na infraestrutura de comunicações móveis (link para o arquivo).
O documento [1] de maio de 2014 apresenta o ponto de vista do MMF sobre os últimos estudos publicados a respeito da relação entre tumores cerebrais e o uso do telefone celular. O documento cita apenas o resultado de algumas pesquisas, todas elas do tipo epidemiológica e que possuem as suas restrições particulares (vide post).
O documento [2] de janeiro de 2013 também apresenta o ponto de vista do MMF, desta vez sobre o relatório BioInitiative 2012, publicado por uma ONG americana chamada BioInitiative (link) e que faz uma revisão sobre os estudos relacionados à exposição humana a campos eletromagnéticos mantendo a opinião de que os mesmos causam problemas à saúde. A visão do MMF e da BioInitiative são conflitantes, baseadas em suas visões sobre o assunto e sobre as pesquisas, porém nenhuma das partes tem razão absoluta até o presente momento visto que a ciência ainda não chegou a um veredicto final.
O documento [3] faz uma defesa das estações rádio base (ERB) que são as estações de telefonia celular. Ele explica o funcionamento das ERBs, apresenta os níveis típicos de campos eletromagnéticos gerados pelas mesmas e argumenta a respeito da adoção de diferentes limites de exposição a campos eletromagnéticos dentro dos países da União Europeia.
Os documentos [1] e [2] não são assinados por ninguém, desta maneira suponho que os mesmos tenham sido escritos pelos membros diretivos do MMF, porém ao consultar o currículo dos 3 membros citados no site da instituição (em 25/09/2014) me deparei com uma surpresa: o diretor geral é formado em Direito e Artes, o diretor para a Europa, Oriente Médio e Ásia é formado em Direito e o diretor para a América do Sul é formador em Marketing. As entrevistas sobre o assunto disponíveis no site do MMF são todas feitas com o diretor geral da instituição, advogado.
Acho que os advogados são pessoas extremamente capazes, porém pergunto: onde estão os técnicos ou cientistas para fazerem uma defesa robusta e bem fundamentada do setor. Este tipo de comportamento por parte da indústria de telecomunicações é bastante comum e desabona em grande medida as suas opiniões. Não deveria ser uma opinião baseada em marketing (o que pode ficar aparente para algumas pessoas) e sim uma opinião técnica feita primeiramente por técnicos (e depois por advogados e marqueteiros).
Dos documentos o [3] apresenta um argumento que concordo plenamente que é a adoção de diferentes níveis de limites de exposição dentro de determinadas regiões. No Brasil este problema é grave, embora exista uma Lei Federal (Lei 11934/2009, link aqui) que regula o limite de exposição humana no país, diversas prefeituras e estados criaram legislações próprias, algumas com limites de exposição tirados ninguém sabe de onde e requisitos totalmente estapafúrdios sobre questões técnicas, embora algumas legislações sejam bem elaboradas e sigam o adotado no âmbito federal. Este tipo de situação faz com que empresas de atuação nacional tenham que respeitar um sem número de legislações conflitantes e sem respaldo técnico, aumentando a nossa já grande burocracia e o "custo Brasil".
Texto de Ricardo Luiz Araújo, engenheiro eletricista.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Grávida ? Mude a sua relação com o telefone celular neste período.



Existe uma grande preocupação acerca dos possíveis efeitos da radiação eletromagnética sobre o organismo humano durante a gestação. A dúvida sobre o assunto deixa algumas futuras mães em estado de neurose.
Um estudo recente feito pela Universidade de Yale (Estados Unidos) em ratos indicou que descendentes de ratas expostas aos campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares apresentaram problemas comportamentais como hiperatividade e perda de memória em um índice superior ao grupo de controle não exposto. Devemos entrar em pânico?
Os próprios pesquisadores responsáveis pelo estudo se adiantam em afirmar que as suas conclusões ainda precisam de validação e de que novos estudos são necessários até que tenhamos certeza sobre a relação causa-efeito entre os campos eletromagnéticos e problemas de saúde em um bebê em formação. Atualmente diversos estudos estão em andamento ao redor do mundo visando responder a esta pergunta e enquanto isto nós mortais, alguns viciados no uso da tecnologia ficaremos em suspense sobre o assunto.
E quem está grávida deve se alarmar e abandonar completamente o uso do telefone celular durante este período ? Ricardo Araújo, engenheiro da empresa brasileira EMField, especializada em medições de campos eletromagnéticos dá algumas dicas sobre o assunto.
Durante a gravidez o uso do telefone celular não precisa ser necessariamente banido, mas bom senso e algumas medidas práticas podem atenuar a exposição do bebê em formação aos campos eletromagnéticos gerados por dispositivos móveis de comunicação:

  • Evite utilizar telefones celulares e telefones sem fio próximos à barriga (no caso de telefones celulares a regra vale mesmo que ele não esteja fazendo ligação ou enviando mensagem de texto);
  • Tablets, smartphones e outros dispositivos que utilizam redes wi-fi ou 3G para se conectarem à internet devem ser mantidos afastados da barriga durante o uso (quando deitados temos a propensão de mantermos os dispositivos extremamente próximos desta região);
  •  Evite dormir com o telefone celular embaixo do travesseiro ou na cama (prefira sempre um local mais afastado como a cabeceira da cama ou algum armário próximo);
  • Os campos eletromagnéticos gerados pelos dispositivos descritos acima ficam extremamente reduzidos mesmo a pequenas distâncias dos mesmos, por isto prefira sempre utilizar o sistema viva voz ou fone de ouvidos quando for realizar uma chamada;
  • Evite carregar o telefone nos bolsos ou mesmo preso no sutiã, prefira sempre uma bolsa.

Estas medidas simples podem atenuar significativamente possíveis problemas e evitar remorsos futuros caso venhamos a descobrir que as radiações eletromagnéticas geradas por telefones celulares causam problemas durante a gravidez.