domingo, 28 de setembro de 2014

Não coloque o seu iPhone6 no forno micro-ondas

Existe uma notícia circulando na internet de que é possível carregar o novo telefone IPhone6 no forno de micro-ondas devido a um dispositivo interno aparelho. Segundo a notícia o telefone deve ser inserido no forno em potência máxima por 1 minuto e meio. O campo eletromagnético do forno induziria uma corrente elétrica no "dispositivo" interno do aparelho carregando a bateria.
Para quem tem conhecimentos técnicos a notícia chega a ser engraçada tamanha é a impossibilidade do fato, porém para leigos, com toda a tecnologia atual o fato pode chegar a ser factível.
Alerto, não insira o seu telefone no forno ligado, o aparelho será destruído imediatamente e eventualmente o forno também após algum tempo!!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Qual é o campo eletromagnético na Avenida Paulista?

Muito se fala sobre os campos eletromagnéticos intensos presentes na Av. Paulista em São Paulo. O local possui diversas estações transmissoras de rádio e TV e por isto é considerada a região brasileira com a maior poluição eletromagnética.
Recentemente fiz algumas medições na Av. Paulista usando um medidor do tipo sonda isotrópica de banda larga com reposta em frequência de 100 kHz a 5 GHz. As medições foram realizadas no canteiro central da avenida em um domingo, dia em que o trânsito é mais leve na região o que elimina distorções nas medidas.
A amostragem foi realizada em dois trechos:
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Av. Brigadeiro Luis Antônio;
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Rua Pamplona.
O maior valor medido foi de 8,50 V/m. Para efeitos de comparação o campo eletromagnético máximo medido nas proximidades de uma estação rádio base de telefonia celular é cerca de 2 V/m. Quem trafega pela Avenida Paulista está, portanto exposto a níveis razoáveis de campos eletromagnéticos (lembrando que a discussão sobre possíveis efeitos adversos à saúde humana ainda não foram comprovados pela ciência).
Provavelmente as pessoas que trabalham em edifícios altos e próximos às antenas transmissoras instaladas na região devem ser expostas a campos eletromagnéticos muito mais intensos.
Nas figuras abaixo são apresentadas imagens com os pontos de medição e o valor medido.


A indústria de telecomunicações se defende

A indústria das telecomunicações vem se defendendo ativamente dos ataques contra as afirmações de que telefones celulares e redes wi-fi causam problemas de saúde (especialmente câncer). No mundo todo as empresas, fabricantes de equipamentos e operadoras se mobilizam para defender seus interesses, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Neste último existe inclusive lobby formal no congresso americano sobre o assunto.
Uma das associações mais ativas é o MMF-Mobile Manufacturers Forum (link em português) que congrega fabricantes de equipamentos de telecomunicações. Com sede na Bélgica e escritório no Brasil a entidade indica que atua em 30 diferentes países.
Em visita ao site da instituição separei 3 documentos em português cujos títulos e links encontram-se abaixo:
[1] Uso de Telefones Celulares e Tumores Cerebrais: Últimas Revisões e Taxas de Incidência (link para o arquivo);
[2] Comentário sobre o BioInitiative Report 2012 (link para o arquivo);
[3] Implicações da imposição de limites arbitrários de exposição à radiofrequência na infraestrutura de comunicações móveis (link para o arquivo).
O documento [1] de maio de 2014 apresenta o ponto de vista do MMF sobre os últimos estudos publicados a respeito da relação entre tumores cerebrais e o uso do telefone celular. O documento cita apenas o resultado de algumas pesquisas, todas elas do tipo epidemiológica e que possuem as suas restrições particulares (vide post).
O documento [2] de janeiro de 2013 também apresenta o ponto de vista do MMF, desta vez sobre o relatório BioInitiative 2012, publicado por uma ONG americana chamada BioInitiative (link) e que faz uma revisão sobre os estudos relacionados à exposição humana a campos eletromagnéticos mantendo a opinião de que os mesmos causam problemas à saúde. A visão do MMF e da BioInitiative são conflitantes, baseadas em suas visões sobre o assunto e sobre as pesquisas, porém nenhuma das partes tem razão absoluta até o presente momento visto que a ciência ainda não chegou a um veredicto final.
O documento [3] faz uma defesa das estações rádio base (ERB) que são as estações de telefonia celular. Ele explica o funcionamento das ERBs, apresenta os níveis típicos de campos eletromagnéticos gerados pelas mesmas e argumenta a respeito da adoção de diferentes limites de exposição a campos eletromagnéticos dentro dos países da União Europeia.
Os documentos [1] e [2] não são assinados por ninguém, desta maneira suponho que os mesmos tenham sido escritos pelos membros diretivos do MMF, porém ao consultar o currículo dos 3 membros citados no site da instituição (em 25/09/2014) me deparei com uma surpresa: o diretor geral é formado em Direito e Artes, o diretor para a Europa, Oriente Médio e Ásia é formado em Direito e o diretor para a América do Sul é formador em Marketing. As entrevistas sobre o assunto disponíveis no site do MMF são todas feitas com o diretor geral da instituição, advogado.
Acho que os advogados são pessoas extremamente capazes, porém pergunto: onde estão os técnicos ou cientistas para fazerem uma defesa robusta e bem fundamentada do setor. Este tipo de comportamento por parte da indústria de telecomunicações é bastante comum e desabona em grande medida as suas opiniões. Não deveria ser uma opinião baseada em marketing (o que pode ficar aparente para algumas pessoas) e sim uma opinião técnica feita primeiramente por técnicos (e depois por advogados e marqueteiros).
Dos documentos o [3] apresenta um argumento que concordo plenamente que é a adoção de diferentes níveis de limites de exposição dentro de determinadas regiões. No Brasil este problema é grave, embora exista uma Lei Federal (Lei 11934/2009, link aqui) que regula o limite de exposição humana no país, diversas prefeituras e estados criaram legislações próprias, algumas com limites de exposição tirados ninguém sabe de onde e requisitos totalmente estapafúrdios sobre questões técnicas, embora algumas legislações sejam bem elaboradas e sigam o adotado no âmbito federal. Este tipo de situação faz com que empresas de atuação nacional tenham que respeitar um sem número de legislações conflitantes e sem respaldo técnico, aumentando a nossa já grande burocracia e o "custo Brasil".
Texto de Ricardo Luiz Araújo, engenheiro eletricista.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Governo da Austrália Publica Recomendação para a Limitação da Exposição a Campos Eletromagnéticos de Alta Freqüência

O governo australiano publicou recentemente um documento (nota técnica) indicando para a população medidas práticas para a redução da exposição a campos eletromagnéticos gerados telefones celulares, redes Wi-Fi e outros dispositivos "sem fio". A nota técnica foi elaborada pela ARPANSA (Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency - Agência Australiana de Proteção de Segurança Nuclear e Proteção Contra Radiação) e foi publicada em julho de 2014.
O interessante nesta notícia é o seguinte fato: a Austrália é um dos países que apoia financeiramente a ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes), entidade que defende até o presente momento que os campos eletromagnéticos de altas frequências não causam problemas de saúde. A postura oficial do governo Australiano é de prevenção caso algum problema seja identificado com as pesquisas futuras mais também pode indicar que os especialistas do mesmo começam a discordar em partes das opiniões da ICNIRP (diversos especialistas ao redor do mundo começam a discordar).
A nota técnica diz que em geral as pesquisas indicam no momento que os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares não são prejudiciais aos usuários, porém não existe certeza absoluta neste sentido em especial no que diz respeito à exposição de crianças pois poucas pesquisas foram feitas neste sentido, desta maneira são sugeridas medidas práticas para limitar a exposição.
Cópia do arquivo em PDF da nota técnica pode ser baixado clicando aqui. Coloco baixo uma imagem da capa do documento com a sua justificativa.
A notícia foi publicada originalmente no site da EMField Engineerindg do Brasil: www.emfield.com.br
 

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Efeitos dos Campos Eletromagnéticos na Saúde Humana - Qual a Origem das Incertezas?

As pessoas me perguntam com frequência qual é o motivo da incerteza acerca dos possíveis efeitos à saúde humana resultantes da exposição a campos eletromagnéticos apesar de todo o desenvolvimento tecnológico experimentado por nossa sociedade e apesar de tantas pessoas serem expostas atualmente à radiação eletromagnética artificial gerada pela atividade do homem.

Para compreendermos os motivos da incerteza que ainda permeia este assunto é importante termos em mente quais são as ferramentas utilizadas pela ciência neste tipo de pesquisa e suas limitações. Tais limitações levam a discussões acirradas por parte de cientistas, céticos, ativistas, órgãos governamentais, políticos e o setor produtivo. O debate fica, portanto sujeito a muita pressão, inclusive econômica.

Caso exista algum tipo de relação causal entre a exposição a campos eletromagnéticos e problemas de saúde, provavelmente a associação deve ser extremamente discreta, do contrário teríamos visto nos últimos anos uma disparada nos casos de doenças associadas ao uso do telefone celular ou alguns públicos específicos como os eletricistas seriam portadores de males específicos diferentes das médias da população em geral, o que ainda não foi detectado de maneira inequívoca. Este fator dificulta ainda mais as pesquisas.

A seguir são apresentadas as principais ferramentas empregadas pelos pesquisadores do assunto (deixei de fora as técnicas de simulação computacional) mantendo as três mais tradicionais com o objetivo de auxiliar na compreensão do público em geral sobre as incertezas que envolvem o assunto.

Pesquisas in vitro: neste tipo de pesquisa realizada em laboratório, células e tecidos humanos ou de animais são cultivados fora do organismo vivo. Algumas amostras são submetidas à exposição a um agente supostamente agressor (neste caso campos eletromagnéticos) e outras permanecem isoladas sem que nenhum agente agressor seja aplicado, sendo chamadas de amostras de controle. As amostras de controle são então comparadas com as amostras que sofreram algum tipo de stress em busca de alterações.
De maneira geral, a maioria das pesquisas in vitro apontam para a existência de efeitos danosos às amostras submetidas à exposição a campos eletromagnéticos. Algumas limitações da técnica devem ser levadas em consideração:
  • As células expostas aos campos eletromagnéticos não possuem a proteção oferecida pelo organismo vivo como um todo;
  • A absorção da energia eletromagnética é diferente para um tecido ou célula isolados em comparação aos mesmos inseridos em um organismo vivo. O mesmo ocorre com a dissipação de calor, o que é importante visto que o aquecimento pode ser uma das causas dos efeitos observados nos estudos e não a radiação eletromagnética propriamente dita.
Os céticos sobre os possíveis efeitos adversos à saúde humana causados por campos eletromagnéticos utilizam as limitações citadas acima aliadas a algumas outras questões como fatores que desabonam os resultados encontrados nos estudos in vitro.


Estudos in vivo: tais estudos são realizados com organismos vivos. Devido a questões éticas relacionadas à exposição intencional de seres humanos a radiações eletromagnéticas para fins de pesquisa este tipo de estudo é conduzido com animais, em geral, porcos, ratos ou coelhos. O estudo é realizado com a divisão dos animais em grupos mantidos nas mesmas condições. Um dos grupos é exposto aos campos eletromagnéticos e outro não (grupo de controle). Os dois grupos são comparados posteriormente em busca de possíveis efeitos da exposição.
Diversos estudos in vivo feitos por cientistas renomados apontam para efeitos como: problemas reprodutivos, comportamentais, surgimento de câncer e tumores dentre outros.
As interações entre os campos eletromagnéticos e organismos vivo são extremamente complexas, dependendo: do tamanho do indivíduo, do formato do seu corpo, de características elétricas do mesmo e outras. Isto faz com que efeitos observados em animais sejam de difícil extrapolação para o ser humano. Tal limitação é utilizada por céticos para desconsiderar ou minimizar as conclusões obtidas em estudos in vivo.

Estudos epidemiológicos: este tipo de estudo é conduzido com a população humana. Populações expostas a maiores níveis de campos eletromagnéticos são comparadas com populações pouco expostas em busca de problemas de saúde. A pesquisa é feita em campo com entrevistas ou o acompanhamento da saúde da população ou então com o cruzamento de informações contidas em bancos de dados, como por exemplo, censos populacionais, registros médicos, informações sobre mortalidade e outros. Alguns tipos de pesquisas epidemiológicas são extremamente sofisticadas pois exigem uma grande cautela na preparação, na coleta de dados e em extrapolações, além de serem de interpretação extremamente complexa.
A grande maioria dos estudos epidemiológicos apontam para a inexistência de relação causal entre a exposição a campos eletromagnéticos e problemas de saúde ou então algum tipo de relação sem consistência estatística. Algumas limitações dos estudos epidemiológicos são:
  • A possibilidade que alguns fatores fujam ao controle dos pesquisadores;
  • É difícil a comprovação de informações fornecidas por pessoas pesquisadas;
  • Grande mobilidade da população em alguns locais, dentre outras limitações.
Desta vez os pesquisadores crentes nos possíveis efeitos à saúde humana questionam os resultados dos estudos epidemiológicos alegando erros de procedimento, pouca aderência com a realidade e as limitações apontadas acima.
Como podemos observar, a discussão científica sobre o assunto possui defensores e detratores de cada ponto de vista. A discussão científica é feita com base em dados e comprovações, desta maneira a grande quantidade de pesquisas em andamento na atualidade, as já realizadas e aqueles que estão por vir devem nos fornecer em alguns anos (se tudo correr bem) a resposta para esta questão.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Comparação dos Níveis de Campos Elétricos Produzidos por Diferentes Fontes (em alta frequência)

Em geral as pessoas, por uma questão de percepção de risco temem as antenas de telefonia celular de maneira muito mais acentuada do que os seus próprios aparelhos móveis. Selecionei abaixo uma comparação entre os níveis de campo elétrico gerados por diferentes fontes. Observe quão grande é o campo gerado por telefones celulares e telefones sem fio quando próximos à cabeça do usuário (linhas 1 e 2 da figura) em comparação ao campo que incide em uma pessoa situada a 150 metros de uma antena de telefonia celular (linha 7 da figura).
As pessoas temem muito mais as antenas de telefonia celular do que os aparelhos devido ao que se convencionou chamar de "percepção de risco". A estação rádio base (ERB) com sua antena de grande  porte e sua parafernália elétrica e eletrônica impõe às pessoas uma falsa sensação de serem muito mais ameaçadoras do que um pequeno aparelho celular, quando na verdade o campo gerado por um aparelho celular é muito mais intenso do que o produzido pela ERB, obviamente devido à pequena distância entre estes aparelhos e o corpo do usuário.

Campos emitidos pro diferentes fontes

Estação de telefonia celular (ERB - Estação rádio base)
 
imagem: EMField

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Exposição Ocupacional a Campos Magnéticos de Baixa Frequência e Choques Elétricos x Mortes por Esclerose Amiotrófica Lateral

Na literatura médica, a ocorrência de casos de Esclerose Amiotrófica Lateral - EAL tem sido ligada às chamadas "ocupações elétricas" (eletricistas, técnicos,  engenheiros e outros profissionais que trabalham em instalações elétricas) sem que nada tenha sido comprovado.

Focados nesta hipótese pesquisadores realizaram uma investigação com base nos dados da SNC - Swiss National Cohort (base de dados suíça que promove o cruzamento de informações dos censos de 1990 e 2000 com registros de mortalidade de 1991 a 2008). A SNC é mantida pela Fundação Nacional de Ciência da Suíça.

Os pesquisadores cruzaram dados das mortes causadas pela Esclerose Amiotrófica Lateral com a matriz de profissões de pessoas expostas a campos  magnéticos de baixa frequência (gerados por redes elétricas) ou a choques elétricos. Ao todo foram examinados os registros de 2,2 milhões de trabalhadores comparando-se aqueles sujeitos a altas e médias exposições a campos magnéticos de baixa frequência  versus  aqueles expostos a baixos níveis utilizando-se o modelo proporcional de Cox.

A taxa de risco (hazard ratio ou HR) para trabalhadores com média e alta exposição a campos magnéticos ficou em 1,55 (com um intervalo de confiança de 95 % 1,11-2,15) e de 1,17 para aqueles expostos a choques elétricos (com um intervalo de confiança de 95 % 0,83-1,65).

A conclusão dos autores é de que existe correlação entre a exposição ocupacional a campos magnéticos de baixa frequência e a mortalidade causada por EAL.

Nota da EMField: como todos os estudos epidemiológicos deste tipo deve-se manter ressalvas com relação às conclusões pois eventualmente o público supostamente afetado por um agente pode ter sido submetido a algum outro fator não levado em consideração no estudo. Por Eng. Ricardo Luiz Araújo.

O estudo é intitulado "Occupational exposure to magnetic fields and electric shocks and risk of ALS:The Swiss National Cohort" e foi conduzido por Huss et. al.

Link para o abstract do artigo: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25229273

Governo de Israel Cria Centro de Conhecimentos em Radiações Não inonizantes e Seus Efeitos Sobre a Saúde

O governo de Israel criou o Centro Nacional de Conhecimento em Radiações Não Ionizantes (campos eletromagnéticos) e Seus Efeitos à Saúde Humana que é amparado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Espaço e pela agência Nacional de Meio Ambiente do país.
O centro batizado de Tnuda (algo como oscilação em português) deve reunir a grande massa de dados existente sobre o assunto e emitir as suas opiniões com os seguintes objetivos: informar a população sobre possíveis perigos à saúde humana e orientar a gestão pública (governo, legisladores e agências governamentais) israelense na tomada de decisões sobre a necessidade de leis sobre o assunto, normas técnicas, ameaças à saúde pública e políticas de prevenção de risco.
O centro é dirigido pelo professor Sigal Sadetzky, diretor da Instituto Gartner do Centro Médico Cheba, autoridade reconhecida internacionalmente na pesquisa dos possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos na saúde humana.
O Centro Tnuda que foi criado em 2013 lançou no dia 09 de setembro de 2014 seu web site oficial que contém notícias, orientações para a população e dados sobre os seus trabalhos. O endereço do site é: http://www.tnuda.org.il  e seu conteúdo é muito interessante (embora escrito em hebraico). 
Diversos órgãos de outros governos já manifestaram interesse em traduzir o site para outros idiomas.
Em breve o Tnuda deve dar um importante passo com o início de pesquisas próprias a serem realizadas com a colaboração de pesquisadores e profissionais de diferentes instituições israelenses. 
As fontes originais da notícia são o jornal The Jerusalem Post e Centro Tneda.

A seguir são apresentadas algumas imagens tiradas do site do Centro Tnuda.


 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A população se rebela contra a instalação de medidores inteligentes de energia elétrica (smart meters)

Medidores inteligentes de energia elétrica conhecidos como “smart meters” são dispositivos destinados à medição de energia elétrica do consumidor de maneira on-line em tempo real. Os principais apelos da tecnologia são: a redução de custos (não existe mais a necessidade de alguém ir até a casa do consumidor para fazer a leitura como nos medidores atuais); redução na possibilidade de fraude no medidor; corte e religamento remoto do consumidor; monitoramento da rede elétrica e suas curvas de carga dentre outros. Benefícios válidos em geral apenas para as concessionárias. 
As companhias de energia monitoram os medidores inteligentes de seus clientes através de uma rede de rádio específica. Para este monitoramento os equipamentos possuem um transmissor de rádio e é justamente esta função que vem causando controvérsia. Embora os transmissores sejam de baixa potência a população teme que os campos eletromagnéticos gerados possam causar problemas adversos a saúde humana.
Frente a esta preocupação centenas de consumidores em países como Canadá, Estados Unidos e Inglaterra estão se negando a permitir que seus medidores convencionais sejam substituídos por smart meters. Diversas associações e campanhas foram criadas com o intuito de defenderem este direito dos consumidores.

Outras críticas aos medidores inteligentes são:


+ A pouca durabilidade dos medidores inteligentes (15 anos) frente aos longevos medidores convencionais;
+ Perda de privacidade uma vez que o consumidor pode ser monitorado ou até espionado em tempo real;
+ Possibilidade de elevação do valor das faturas com preços maiores para a energia consumida nos horários de ponta do sistema elétrico.



Além da medição de energia elétrica, existem ainda smart meters destinados ao faturamento de serviços como gás e água. Em breve a discussão deve chegar ao Brasil onde a instalação de medidores inteligentes possui um grande apelo devido à grande incidência de casos de furto de energia.
A seguir são apresentados alguns links da internet de páginas que pregam contra os medidores inteligentes:
http://www.refusesmartmeters.com/
http://stopsmartmeters.net/smartElectricityMeters.htm
http://emfsafetynetwork.org/action-now/
http://www.abeldanger.net/2012/04/smart-meter-fraud-deception-ending.html
http://www.bantexassmartmeters.com/2012/update-may-17-2012-puc-activity-stopping-smart-meter-installations/
http://stopsmartmeters.org.uk/leaflets-please-circulate/
(atenção: os fatos noticiados não representam a minha opinião sobre o assunto)

 Consumidor que trancou o seu medidor atual com medo da substituição de um smart meter (USA)


 Imagens de campanhas contra os smart meters

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Apenas uma reflexão por Ricardo L. Araújo



A sociedade atual está extremamente preocupada com os possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos sobre a saúde humana. Campos estes gerados por telefones celulares, redes wi-fi, bluetooth, radiocomunicadores, redes elétricas, dispositivos do tipo sem fio em geral e, a rigor, qualquer objeto que utilize energia elétrica.

Vemos constantemente diversas controvérsias sobre o assunto. Quando instados a falarem sobre o assunto, a maioria dos técnicos dos setores elétrico e de telecomunicações recorre ao seguinte discurso aproximado: “A Organização Mundial da Saúde – OMS concluiu que os campos eletromagnéticos não são agente cancerígeno, são inócuos sobre o ser humano”. A afirmação não dá qualquer margem para qualquer dúvida ou discussão sobre o assunto. O que se entende com este discurso é que as conclusões são definitivas e absolutas e que o assunto deveria ser encerrado como se os campos eletromagnéticos simplesmente não existissem. Os únicos efeitos aceitos pela comunidade técnica em geral são: o aquecimento de tecidos humanos ocasionado pela exposição a campos eletromagnéticos; eletro estimulação do sistema nervoso central; estimulação visual (magnetofosfenos).

A verdade não é exatamente a pregada acima.  Os campos eletromagnéticos existem e estão interagindo com qualquer organismo vivo que habite nosso pequeno planeta o que não pode ser ignorado, portanto a discussão não se encerra como gostariam os céticos. A seguir levantamos os fatos pelo qual entendemos a discussão ainda deve continuar.

O organismo humano tem seu funcionamento baseado principalmente em reações químicas e interações elétricas. Nós não conhecemos absolutamente tudo sobre todas as interações elétricas que ocorrem em nosso corpo, ainda existem muitas dúvidas sobre o assunto. Perguntamos então: se não entendemos plenamente o nosso funcionamento elétrico como poderemos entender plenamente as interações entre campos externos com a nossa bioeletricidade?

A maioria dos estudos já realizados sobre o assunto investiga a possibilidade da ocorrência de diversos tipos de câncer no organismo humano exposto a campos eletromagnéticos. Mais como ficam os outros segmentos de investigação, pouco ou ainda não explorados completamente pela ciência como:

·         Tumores já existentes podem ser potencializados pela exposição?

·         Podem surgir outras doenças como problemas auditivos e visuais, respiratórios, cardíacos e cutâneos?

·         A exposição a campos eletromagnéticos pode gerar problemas cognitivos como dificuldade de aprendizado, dificuldade de concentração, hiperatividade e outros?

·         Podem ocorrer problemas reprodutivos em pessoas expostas a campos eletromagnéticos?

·         O desenvolvimento fetal pode ser comprometido pela exposição da gestante a campos eletromagnéticos?

Até o momento a ciência ainda não conseguiu responder com certeza absoluta a uma questão básica: o organismo de uma criança é mais susceptível aos campos eletromagnéticos do que o organismo de um adulto?

Estudos de grande magnitude e de longa duração ainda são poucos o que gera ainda mais dúvidas sobre o assunto.

Existem pessoas que se dizem eletrosensitivas e que sofrem distúrbios físicos e psíquicos quando da presença de campos eletromagnéticos. A ciência ainda não conseguiu descartar a hipótese e diversas pessoas ao redor do mundo começam a se isolar do uso da eletricidade sem que se saiba se realmente possuem algum tipo de problema.

As questões em aberto ainda são muitas e as respostas ainda são poucas. Os fatos levantados acima levam a EMField concluir que ainda não existem verdades absolutas que possam ser aceitas sobre o assunto.

Em oposição aos que dizem que os campos eletromagnéticos geram apenas efeitos nocivos ao ser humano, diversos grupos sérios de pesquisa ao redor do mundo investigam tratamentos de saúde baseados em campos eletromagnéticos.

Mais estudos devem ser levados adiante e no futuro, talvez, tenhamos as respostas que tanto almejamos enquanto sociedade civil.

Como não existe uma correlação absoluta entre a exposição a campos eletromagnéticos e o imediato surgimento de uma doença teremos que assumir o risco do uso irrestrito da eletricidade e conviver com as dúvidas até que as respostas apareçam.

Os campos eletromagnéticos existem e estão presentes em nossa vida quotidiana! As discussões sobre os seus efeitos ainda não são conclusivas. Por enquanto nem céticos nem militantes dos efeitos dos campos eletromagnéticos possuem razão. Teremos que confiar nosso futuro ao tempo e aos avanços da ciência por mais difícil que seja aceitar o fato para muitos de nós. Do contrário teremos que abrir mão dos benefícios do uso da eletricidade para as nossas vidas.


Este texto está disponível para download em formato PDF na página de publicações da EMField: http://www.emfield.com.br/PublicacoesdaEMField.htm


Para saber mais sobre o assunto e tirar as suas próprias conclusões:

  • Projeto Cosmos (Estudo ligado ao Imperial College London da Inglaterra. Estuda questões de saúde ligadas ao uso do telefone celular): http://www.ukcosmos.org/index.html