A sociedade atual está
extremamente preocupada com os possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos
sobre a saúde humana. Campos estes gerados por telefones celulares, redes
wi-fi, bluetooth, radiocomunicadores, redes elétricas, dispositivos do tipo sem
fio em geral e, a rigor, qualquer objeto que utilize energia elétrica.
Vemos constantemente diversas
controvérsias sobre o assunto. Quando instados a falarem sobre o assunto, a
maioria dos técnicos dos setores elétrico e de telecomunicações recorre ao
seguinte discurso aproximado: “A Organização Mundial da Saúde – OMS concluiu
que os campos eletromagnéticos não são agente cancerígeno, são inócuos sobre o
ser humano”. A afirmação não dá qualquer margem para qualquer dúvida ou
discussão sobre o assunto. O que se entende com este discurso é que as
conclusões são definitivas e absolutas e que o assunto deveria ser encerrado
como se os campos eletromagnéticos simplesmente não existissem. Os únicos
efeitos aceitos pela comunidade técnica em geral são: o aquecimento de tecidos
humanos ocasionado pela exposição a campos eletromagnéticos; eletro estimulação
do sistema nervoso central; estimulação visual (magnetofosfenos).
A verdade não é exatamente a
pregada acima. Os campos
eletromagnéticos existem e estão interagindo com qualquer organismo vivo que
habite nosso pequeno planeta o que não pode ser ignorado, portanto a discussão
não se encerra como gostariam os céticos. A seguir levantamos os fatos pelo
qual entendemos a discussão ainda deve continuar.
O organismo humano tem seu
funcionamento baseado principalmente em reações químicas e interações
elétricas. Nós não conhecemos absolutamente tudo sobre todas as interações
elétricas que ocorrem em nosso corpo, ainda existem muitas dúvidas sobre o
assunto. Perguntamos então: se não entendemos plenamente o nosso funcionamento
elétrico como poderemos entender plenamente as interações entre campos externos
com a nossa bioeletricidade?
A maioria dos estudos já
realizados sobre o assunto investiga a possibilidade da ocorrência de diversos
tipos de câncer no organismo humano exposto a campos eletromagnéticos. Mais
como ficam os outros segmentos de investigação, pouco ou ainda não explorados
completamente pela ciência como:
·
Tumores já existentes podem ser potencializados
pela exposição?
·
Podem surgir outras doenças como problemas
auditivos e visuais, respiratórios, cardíacos e cutâneos?
·
A exposição a campos eletromagnéticos pode gerar
problemas cognitivos como dificuldade de aprendizado, dificuldade de
concentração, hiperatividade e outros?
·
Podem ocorrer problemas reprodutivos em pessoas
expostas a campos eletromagnéticos?
·
O desenvolvimento fetal pode ser comprometido
pela exposição da gestante a campos eletromagnéticos?
Até o momento a ciência ainda não
conseguiu responder com certeza absoluta a uma questão básica: o organismo de
uma criança é mais susceptível aos campos eletromagnéticos do que o organismo
de um adulto?
Estudos de grande magnitude e de
longa duração ainda são poucos o que gera ainda mais dúvidas sobre o assunto.
Existem pessoas que se dizem
eletrosensitivas e que sofrem distúrbios físicos e psíquicos quando da presença
de campos eletromagnéticos. A ciência ainda não conseguiu descartar a hipótese
e diversas pessoas ao redor do mundo começam a se isolar do uso da eletricidade
sem que se saiba se realmente possuem algum tipo de problema.
As questões em aberto ainda são
muitas e as respostas ainda são poucas. Os fatos levantados acima levam a
EMField concluir que ainda não existem verdades absolutas que possam ser
aceitas sobre o assunto.
Em oposição aos que dizem que os
campos eletromagnéticos geram apenas efeitos nocivos ao ser humano, diversos
grupos sérios de pesquisa ao redor do mundo investigam tratamentos de saúde
baseados em campos eletromagnéticos.
Mais estudos devem ser levados
adiante e no futuro, talvez, tenhamos as respostas que tanto almejamos enquanto
sociedade civil.
Como não existe uma correlação
absoluta entre a exposição a campos eletromagnéticos e o imediato surgimento de
uma doença teremos que assumir o risco do uso irrestrito da eletricidade e
conviver com as dúvidas até que as respostas apareçam.
Os campos eletromagnéticos
existem e estão presentes em nossa vida quotidiana! As discussões sobre os seus
efeitos ainda não são conclusivas. Por enquanto nem céticos nem militantes dos
efeitos dos campos eletromagnéticos possuem razão. Teremos que confiar nosso
futuro ao tempo e aos avanços da ciência por mais difícil que seja aceitar o
fato para muitos de nós. Do contrário teremos que abrir mão dos benefícios do
uso da eletricidade para as nossas vidas.
Este texto está disponível para
download em formato PDF na página de publicações da EMField: http://www.emfield.com.br/PublicacoesdaEMField.htm
Para saber mais sobre o assunto
e tirar as suas próprias conclusões:
- Projeto Cosmos (Estudo ligado ao Imperial College London da Inglaterra. Estuda questões de saúde ligadas ao uso do telefone celular): http://www.ukcosmos.org/index.html
- Projeto Scamp (Estudo ligado ao Imperial College London da Inglaterra. Estuda os efeitos de campos eletromagnéticos em crianças): http://www.scampstudy.org/
- CREAL (Centro de Pesquisas sobre Edidemiologia Ambiental (Barcelona, Espanha), possui diversos projetos sobre campos eletromagnéticos): http://www.crealradiation.com/
- Projeto Mobi-Kids (Projeto do CREAL pesquisa a relação tumores cerebrais em jovens e o uso de telefones celulares): http://www.crealradiation.com/index.php/en/mobi-kids-home
- Projeto GERoNIMO (Projeto do CREAL pesquisa as medidas de prevenção à exposição a campos eletromagnéticos): http://www.crealradiation.com/index.php/en/geronimo-home
- Projeto INTERoCC (Projeto do CREAL pesquisa sobre tumores cerebrais e sua relação com a exposição ocupacional a campos eletromagnéticos e agente químicos): http://www.crealradiation.com/index.php/en/radiation-programme-projects/interocc
- OMS - Organização Mundial da Saúde (Página da OMS com informações sobre campos eletromagnéticos e problemas de saúde): http://www.who.int/peh-emf/research/database/en/
- BionItiative (Organização não governamental que se ocupa de analisar questões relacionadas a efeitos dos campos eletromagnéticos e que faz o principal contra ponto às conclusões da OMS e ICNIRP): http://www.bioinitiative.org/
- EMF-Portal (Página da Universidade de Aachen, Alemanha com informações sobre campos eletromagnéticos e problemas de saúde): http://www.emf-portal.de/_index.php?l=e
- ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes): http://www.icnirp.de/
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