quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Página Especial com Informações sobre Campos Eletromagnéticos

A EMField acaba de publicar em seu site da internet uma página totalmente dedicada a disseminar informações sobre campos eletromagnéticos e seus  possíveis efeitos sobre a saúde humana.
A página, destinada ao cidadão comum possui linguagem simples e informações diretas para quem quer se aprofundar no assunto. Os tópicos são os seguintes:
  • Tutorial explicando o que são os campos eletromagnéticos e suas principais características;
  • Apresentação da legislação brasileira sobre os campos eletromagnéticos;
  • Análise dos limites de exposição humana sugeridos pela Organização Mundial da Saúde;
  • Como são definidos os limites de exposição da OMS;
  • Visões conflitantes sobre as conclusões da Organização Mundial da Saúde;
  • A necessidade das medições e da análise de campos eletromagnéticos;
  • Glossário com os principais termos encontrados na literatura técnica sobre o assunto para quem queira se aprofundar.

O link para a página da EMField é o seguinte: http://www.emfield.com.br/Exposicao.htm

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Campos magnéticos influenciam positivamente na reprogramação celular

Foi publicado recentemente um interessante artigo científico com os resultados de uma pesquisa que investiga os efeitos dos campos magnéticos na reprogramação de células adultas. O trabalho foi desenvolvido por um grupo composto por pesquisadores norte americanos e coreanos.
A pesquisa avaliou o efeito de campos magnéticos de baixa frequência na transformação de células adultas de ratos em células tronco pluripotentes (células pluripotentes estaminais). As célula em estudo foram submetidas a um campo magnético (densidade de fluxo magnético)  de 1 mT em frequências de 10 Hz, 50 Hz e 100 Hz. A exposição a campos de 50 Hz resultou em um aumento impressionante de reprogramações celulares de 30 vezes. Outro resultado interessante é que as células não expostas ao campo magnético terrestre (geomagnetismo) deixaram de apresentar reprogramação apesar de todos os outros fatores que propiciam o fato terem sido mantidos (temperatura, acidez, etc).
O mecanismo de interação entre o campo magnético e as células ainda não foi totalmente compreendido. Se confirmados os resultados da pesquisa, além de contribuir com os estudos sobre os efeitos dos campos na saúde humana haverá ainda uma grande contribuição nos estudos dos efeitos da ausência do campo magnético terrestre na saúde dos astronautas. O artigo pode ser lido clicando aqui.



Estufa utilizada na pesquisa, as bobinas geradoras de campo magnético são os componentes vermelho e azul. Os créditos da foto são de Jongpil Kim

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

MOBILIZE - Um filme sobre os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares e seus supostos impactos na saúde humana



Foi lançado em setembro de 2014 , na Califórnia, Estados Unidos o documentário longa metragem Mobilize que trata dos possíveis efeitos das radiações eletromagnéticas geradas por telefones celulares sobre a saúde humana. O filme apresenta os últimos avanços científicos sobre o tema e os desafios políticos e econômicos que pressionam a discussão.
Mobilize foi dirigido por Kevin Kunze e produzido por Devra Davis, Ellen Marks, e Joel Moskowitz.
Abaixo pode ser visto o trailer do filme.


domingo, 28 de setembro de 2014

Não coloque o seu iPhone6 no forno micro-ondas

Existe uma notícia circulando na internet de que é possível carregar o novo telefone IPhone6 no forno de micro-ondas devido a um dispositivo interno aparelho. Segundo a notícia o telefone deve ser inserido no forno em potência máxima por 1 minuto e meio. O campo eletromagnético do forno induziria uma corrente elétrica no "dispositivo" interno do aparelho carregando a bateria.
Para quem tem conhecimentos técnicos a notícia chega a ser engraçada tamanha é a impossibilidade do fato, porém para leigos, com toda a tecnologia atual o fato pode chegar a ser factível.
Alerto, não insira o seu telefone no forno ligado, o aparelho será destruído imediatamente e eventualmente o forno também após algum tempo!!!!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Qual é o campo eletromagnético na Avenida Paulista?

Muito se fala sobre os campos eletromagnéticos intensos presentes na Av. Paulista em São Paulo. O local possui diversas estações transmissoras de rádio e TV e por isto é considerada a região brasileira com a maior poluição eletromagnética.
Recentemente fiz algumas medições na Av. Paulista usando um medidor do tipo sonda isotrópica de banda larga com reposta em frequência de 100 kHz a 5 GHz. As medições foram realizadas no canteiro central da avenida em um domingo, dia em que o trânsito é mais leve na região o que elimina distorções nas medidas.
A amostragem foi realizada em dois trechos:
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Av. Brigadeiro Luis Antônio;
  • Cruzamento da Av. Paulista com a Rua Pamplona.
O maior valor medido foi de 8,50 V/m. Para efeitos de comparação o campo eletromagnético máximo medido nas proximidades de uma estação rádio base de telefonia celular é cerca de 2 V/m. Quem trafega pela Avenida Paulista está, portanto exposto a níveis razoáveis de campos eletromagnéticos (lembrando que a discussão sobre possíveis efeitos adversos à saúde humana ainda não foram comprovados pela ciência).
Provavelmente as pessoas que trabalham em edifícios altos e próximos às antenas transmissoras instaladas na região devem ser expostas a campos eletromagnéticos muito mais intensos.
Nas figuras abaixo são apresentadas imagens com os pontos de medição e o valor medido.


A indústria de telecomunicações se defende

A indústria das telecomunicações vem se defendendo ativamente dos ataques contra as afirmações de que telefones celulares e redes wi-fi causam problemas de saúde (especialmente câncer). No mundo todo as empresas, fabricantes de equipamentos e operadoras se mobilizam para defender seus interesses, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Neste último existe inclusive lobby formal no congresso americano sobre o assunto.
Uma das associações mais ativas é o MMF-Mobile Manufacturers Forum (link em português) que congrega fabricantes de equipamentos de telecomunicações. Com sede na Bélgica e escritório no Brasil a entidade indica que atua em 30 diferentes países.
Em visita ao site da instituição separei 3 documentos em português cujos títulos e links encontram-se abaixo:
[1] Uso de Telefones Celulares e Tumores Cerebrais: Últimas Revisões e Taxas de Incidência (link para o arquivo);
[2] Comentário sobre o BioInitiative Report 2012 (link para o arquivo);
[3] Implicações da imposição de limites arbitrários de exposição à radiofrequência na infraestrutura de comunicações móveis (link para o arquivo).
O documento [1] de maio de 2014 apresenta o ponto de vista do MMF sobre os últimos estudos publicados a respeito da relação entre tumores cerebrais e o uso do telefone celular. O documento cita apenas o resultado de algumas pesquisas, todas elas do tipo epidemiológica e que possuem as suas restrições particulares (vide post).
O documento [2] de janeiro de 2013 também apresenta o ponto de vista do MMF, desta vez sobre o relatório BioInitiative 2012, publicado por uma ONG americana chamada BioInitiative (link) e que faz uma revisão sobre os estudos relacionados à exposição humana a campos eletromagnéticos mantendo a opinião de que os mesmos causam problemas à saúde. A visão do MMF e da BioInitiative são conflitantes, baseadas em suas visões sobre o assunto e sobre as pesquisas, porém nenhuma das partes tem razão absoluta até o presente momento visto que a ciência ainda não chegou a um veredicto final.
O documento [3] faz uma defesa das estações rádio base (ERB) que são as estações de telefonia celular. Ele explica o funcionamento das ERBs, apresenta os níveis típicos de campos eletromagnéticos gerados pelas mesmas e argumenta a respeito da adoção de diferentes limites de exposição a campos eletromagnéticos dentro dos países da União Europeia.
Os documentos [1] e [2] não são assinados por ninguém, desta maneira suponho que os mesmos tenham sido escritos pelos membros diretivos do MMF, porém ao consultar o currículo dos 3 membros citados no site da instituição (em 25/09/2014) me deparei com uma surpresa: o diretor geral é formado em Direito e Artes, o diretor para a Europa, Oriente Médio e Ásia é formado em Direito e o diretor para a América do Sul é formador em Marketing. As entrevistas sobre o assunto disponíveis no site do MMF são todas feitas com o diretor geral da instituição, advogado.
Acho que os advogados são pessoas extremamente capazes, porém pergunto: onde estão os técnicos ou cientistas para fazerem uma defesa robusta e bem fundamentada do setor. Este tipo de comportamento por parte da indústria de telecomunicações é bastante comum e desabona em grande medida as suas opiniões. Não deveria ser uma opinião baseada em marketing (o que pode ficar aparente para algumas pessoas) e sim uma opinião técnica feita primeiramente por técnicos (e depois por advogados e marqueteiros).
Dos documentos o [3] apresenta um argumento que concordo plenamente que é a adoção de diferentes níveis de limites de exposição dentro de determinadas regiões. No Brasil este problema é grave, embora exista uma Lei Federal (Lei 11934/2009, link aqui) que regula o limite de exposição humana no país, diversas prefeituras e estados criaram legislações próprias, algumas com limites de exposição tirados ninguém sabe de onde e requisitos totalmente estapafúrdios sobre questões técnicas, embora algumas legislações sejam bem elaboradas e sigam o adotado no âmbito federal. Este tipo de situação faz com que empresas de atuação nacional tenham que respeitar um sem número de legislações conflitantes e sem respaldo técnico, aumentando a nossa já grande burocracia e o "custo Brasil".
Texto de Ricardo Luiz Araújo, engenheiro eletricista.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Governo da Austrália Publica Recomendação para a Limitação da Exposição a Campos Eletromagnéticos de Alta Freqüência

O governo australiano publicou recentemente um documento (nota técnica) indicando para a população medidas práticas para a redução da exposição a campos eletromagnéticos gerados telefones celulares, redes Wi-Fi e outros dispositivos "sem fio". A nota técnica foi elaborada pela ARPANSA (Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency - Agência Australiana de Proteção de Segurança Nuclear e Proteção Contra Radiação) e foi publicada em julho de 2014.
O interessante nesta notícia é o seguinte fato: a Austrália é um dos países que apoia financeiramente a ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes), entidade que defende até o presente momento que os campos eletromagnéticos de altas frequências não causam problemas de saúde. A postura oficial do governo Australiano é de prevenção caso algum problema seja identificado com as pesquisas futuras mais também pode indicar que os especialistas do mesmo começam a discordar em partes das opiniões da ICNIRP (diversos especialistas ao redor do mundo começam a discordar).
A nota técnica diz que em geral as pesquisas indicam no momento que os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares não são prejudiciais aos usuários, porém não existe certeza absoluta neste sentido em especial no que diz respeito à exposição de crianças pois poucas pesquisas foram feitas neste sentido, desta maneira são sugeridas medidas práticas para limitar a exposição.
Cópia do arquivo em PDF da nota técnica pode ser baixado clicando aqui. Coloco baixo uma imagem da capa do documento com a sua justificativa.
A notícia foi publicada originalmente no site da EMField Engineerindg do Brasil: www.emfield.com.br