quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Mobilize - Um filme sobre os campos eletromagnéticos gerados por telefones celulares

Será lançado em setembro de 2014 , na Califórnia, Estados Unidos o documentário longa metragem Mobilize que trata dos possíveis efeitos das radiações eletromagnéticas geradas por telefones celulares sobre a saúde humana. O filme apresenta os últimos avanços científicos sobre o tema e os desafios políticos e econômicos que pressionam a discussão.
Mobilize foi dirigido por Kevin Kunze e produzido por Devra Davis, Ellen Marks, e Joel Moskowitz.
Abaixo pode ser visto o trailer do filme.
 

A batalha pela revisão dos limites de exposição humana a campos eletromagnéticos nos Estados Unidos

A FCC - Federal Communications Commission (Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos) está revendo os limites de exposição humana a campos eletromagnéticos gerados por sistemas de comunicações sem fio (celulares, redes wi-fi e outros). A legislação atual é de 1996.
Visando a retificação dos limites a FCC solicitou contribuições sobre o tema à sociedade. Em resposta mais de 950 indivíduos e instituições contribuíram com milhares de depoimentos, trabalhos de pesquisa e publicações científicas. Com exceção de associações, de empresas e lobistas que atuam no mercado de comunicações sem fio a maioria esmagadora das contribuições, algumas de grande peso científico, pedem uma redução significativa dos limites de exposição humana a campos eletromagnéticos sugeridos pela OMS - Organização Mundial da Saúde e oriundos da ICNIRP – Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes e que são defendidos pela indústria das comunicações.
São diversos os críticos aos limites estabelecidos pela ICNIRP/OMS que seriam muito elevados, não servindo de resguardo à saúde da população. O professor Joel M. Moskowitz, PhD da Escola de Saúde Pública da Universidade da Califórnia Berkeley salienta que, com base nas evidências, os limites a serem definidos pela FCC devem ser muito mais restritivos que os atuais.
A discussão americana, pela amplitude que vem tomando, deve ser observada com atenção pela comunidade científica, governos e órgãos reguladores de diversos países.

Saiba mais sobre campos eletromagnéticos em www.emfield.com.br

EMField Engineering do Brasil - Especialista em medições de campos eletromagnéticos


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Os Campos Eletromagnéticos e a Legislação Brasileira


A exposição humana a campos eletromagnéticos artificiais gerados por sistemas de comunicações ou por redes elétricas é um assunto extremamente controverso e que suscita discussões acaloradas no meio técnico-científico e muita dúvida na sociedade como um todo.
Desde 2009 o Brasil conta com uma lei federal específica sobre o assunto. Trata-se da lei 11934 que baliza os limites máximos de exposição humana aos campos gerados por instalações do setor elétrico e do setor de telecomunicações. A lei especifica que os limites a serem respeitados nacionalmente são os estabelecidos pela Comissão Internacional de Proteção contra Radiações não Ionizantes – ICNIRP e que são recomendados pela OMS - Organização Mundial da Saúde e considerados como seguros pela mesma.
Na Lei 11934 fica estabelecido legalmente que a entidade responsável pela fiscalização do setor de telecomunicações é a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e que o setor elétrico será fiscalizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
No caso de Anatel nada foi alterado visto que a agência possui um sistema de fiscalização estabelecido nos parâmetros recomendados pela OMS desde o ano de 2002, o que é regulamentado através da Resolução Normativa 303/2002. Segundo esta resolução todas as estações de telefonia que operem através de emissões de sinais de rádio devem passar por medições de campos eletromagnéticos ou verificação através de cálculos teóricos a cada período de cinco anos. Os resultados de medições feitas pela própria Anatel e diversos locais do país podem ser consultados pela população no site da agência.
Para o setor elétrico a fiscalização da Aneel é regulamentada através da Resolução Normativa 398/2010. Neste contexto a partir de 2010 foram realizadas medições de campos elétricos e magnéticos em todas as instalações (linhas de transmissão, subestações e centrais geradoras) com tensões superiores a 138 kV em um grande esforço por parte do setor. Além disto, todas as novas instalações do setor elétrico possuem um estudo sobre campos eletromagnéticos desde o início de sua operação. A Aneel está implementando um sistema de informações que permite a qualquer cidadão consultar os níveis de campos gerados pelas instalações elétricas nacionais. Uma grande massa de dados já está disponível para consulta no site da agência.
Além da verificação da exposição da população em geral e da população ocupacional aos campos eletromagnéticos a Lei Federal 11934/2009 tem como objetivo também a uniformização dos padrões de fiscalização no âmbito municipal, estadual e federal o que visa a redução de custos e de entraves para a implantação de novos empreendimentos indispensáveis para o país. Porém diversões órgãos ambientais estaduais e municipais continuam fiscalizando a emissão de campos eletromagnéticos com base em leis e normas próprios e que nem sempre possuem fundamentação técnica ou científica adequadas o que serve apenas para o aumento do chamado “Custo Brasil” sem que nada seja acrescentado em termos de aumento da segurança da população no que diz respeito à exposição aos campos eletromagnéticos. No setor de telecomunicações, uma empresa com atuação nacional deve obedecer a dezenas de leis diferentes para o mesmo assunto, algumas extremamente controversas ou omissas o que eleva custos e dificulta a implantação de novas instalações. O correto seria que órgãos ambientais estaduais e câmaras municipais revisassem suas normas e leis adequando-se ao estabelecido pela Lei Federal 11934/2009 o que contribuiria para todos os envolvidos, sejam empresas ou cidadãos.
Lamentavelmente a Lei 11931 possui uma omissão grave em não estender os limites obrigatórios de exposição humana a campos eletromagnéticos ao setor produtivo. Os trabalhadores de diversos segmentos industriais são expostos a campos de grande magnitude, ficando sem o resguardo da legislação específica. Espera-se em um futuro próximo que sindicatos e associações de classe atuem sobre o poder legislativo nacional para que a legislação seja alterada contemplando também a proteção dos trabalhadores do setor produtivo.
Efeitos dos campos eletromagnéticos na saúde humana – as discussões não estão encerradas
A sociedade atual está extremamente preocupada com os possíveis efeitos dos campos eletromagnéticos sobre a saúde humana. Campos estes gerados por telefones celulares, redes wi-fi, bluetooth, radiocomunicadores, redes elétricas, dispositivos do tipo sem fio em geral e, a rigor, qualquer objeto que utilize energia elétrica.
Vemos constantemente diversas controvérsias sobre o assunto. Quando instados a falarem sobre o assunto, a maioria dos técnicos dos setores elétrico e de telecomunicações recorre ao seguinte discurso aproximado: “A Organização Mundial da Saúde – OMS concluiu que os campos eletromagnéticos não são agente cancerígeno, são inócuos sobre o ser humano”. A afirmação não dá qualquer margem para qualquer dúvida ou discussão sobre o assunto. O que se entende com este discurso é que as conclusões são definitivas e absolutas e que o assunto deveria ser encerrado como se os campos eletromagnéticos simplesmente não existissem. Os únicos efeitos aceitos pela comunidade técnica em geral são: o aquecimento de tecidos humanos ocasionado pela exposição a campos eletromagnéticos; eletro-estimulação do sistema nervoso central; estimulação visual (magnetofosfenos).
A verdade não é exatamente a pregada acima. Os campos eletromagnéticos existem e estão interagindo com qualquer organismo vivo que habite nosso pequeno planeta o que não pode ser ignorado, portanto a discussão não se encerra como gostariam os céticos. A seguir levantamos os fatos pelo qual entendemos a discussão ainda deve continuar.
O organismo humano tem seu funcionamento baseado principalmente em reações químicas e interações elétricas. Nós não conhecemos absolutamente tudo sobre todas as interações elétricas que ocorrem em nosso corpo, ainda existem muitas dúvidas sobre o assunto. Perguntamos então: se não entendemos plenamente o nosso funcionamento elétrico como poderemos entender plenamente as interações entre campos externos com a nossa bio-eletricidade?
A maioria dos estudos já realizados sobre o assunto investiga a possibilidade da ocorrência de diversos tipos de câncer no organismo humano exposto a campos eletromagnéticos. Mais como ficam os outros segmentos de investigação, pouco ou ainda não explorados completamente pela ciência como:
• Tumores já existentes podem ser potencializados pela exposição?
• Podem surgir outras doenças como problemas auditivos e visuais, respiratórios, cardíacos e cutâneos?
• A exposição a campos eletromagnéticos pode gerar problemas cognitivos como dificuldade de aprendizado, dificuldade de concentração, hiperatividade e outros?
• Podem ocorrer problemas reprodutivos em pessoas expostas a campos eletromagnéticos?
• O desenvolvimento fetal pode ser comprometido pela exposição da gestante a campos eletromagnéticos?
Até o momento a ciência ainda não conseguiu responder com certeza absoluta a uma questão básica: o organismo de uma criança é mais susceptível aos campos eletromagnéticos do que o organismo de um adulto?
Estudos de grande magnitude e de longa duração ainda são poucos o que gera ainda mais dúvidas sobre o assunto.
Existem pessoas que se dizem eletrosensitivas e que sofrem distúrbios físicos e psíquicos quando da presença de campos eletromagnéticos. A ciência ainda não conseguiu descartar a hipótese e diversas pessoas ao redor do mundo começam a se isolar do uso da eletricidade sem que se saiba se realmente possuem algum tipo de problema.
As questões em aberto ainda são muitas e as respostas ainda são poucas. Os fatos levantados acima levam a EMField concluir que ainda não existem verdades absolutas que possam ser aceitas sobre o assunto.
Em oposição aos que dizem que os campos eletromagnéticos geram apenas efeitos nocivos ao ser humano, diversos grupos sérios de pesquisa ao redor do mundo investigam tratamentos de saúde baseados em campos eletromagnéticos.
Mais estudos devem ser levados adiante e no futuro, talvez, tenhamos as respostas que tanto almejamos enquanto sociedade civil.
Como não existe uma correlação absoluta entre a exposição a campos eletromagnéticos e o imediato surgimento de uma doença teremos que assumir o risco do uso irrestrito da eletricidade e conviver com as dúvidas até que as respostas apareçam.
Os campos eletromagnéticos existem e estão presentes em nossa vida quotidiana! As discussões sobre os seus efeitos ainda não são conclusivas. Por enquanto nem céticos nem militantes dos efeitos dos campos eletromagnéticos possuem razão. Teremos que confiar nosso futuro ao tempo e aos avanços da ciência por mais difícil que seja aceitar o fato para muitos de nós. Do contrário teremos que abrir mão dos benefícios do uso da eletricidade para as nossas vidas.
Este texto está disponível para download em formato PDF na página de publicações da EMField: http://www.emfield.com.br/PublicacoesdaEMField.htm
Para saber mais sobre o assunto e tirar as suas próprias conclusões:
• Projeto Cosmos (Estudo ligado ao Imperial College London da Inglaterra. Estuda questões de saúde ligadas ao uso do telefone celular): http://www.ukcosmos.org/index.html
• Projeto Scamp (Estudo ligado ao Imperial College London da Inglaterra. Estuda os efeitos de campos eletromagnéticos em crianças): http://www.scampstudy.org/
• CREAL (Centro de Pesquisas sobre Edidemiologia Ambiental (Barcelona, Espanha), possui diversos projetos sobre campos eletromagnéticos): http://www.crealradiation.com/
• Projeto Mobi-Kids (Projeto do CREAL pesquisa a relação tumores cerebrais em jovens e o uso de telefones celulares): http://www.crealradiation.com/index.php/en/mobi-kids-home
• Projeto GERoNIMO (Projeto do CREAL pesquisa as medidas de prevenção à exposição a campos eletromagnéticos): http://www.crealradiation.com/index.php/en/geronimo-home
• Projeto INTERoCC (Projeto do CREAL pesquisa sobre tumores cerebrais e sua relação com a exposição ocupacional a campos eletromagnéticos e agente químicos): http://www.crealradiation.com/index.php/en/radiation-programme-projects/interocc
• OMS - Organização Mundial da Saúde (Página da OMS com informações sobre campos eletromagnéticos e problemas de saúde): http://www.who.int/peh-emf/research/database/en/
• BionItiative (Organização não governamental que se ocupa de analisar questões relacionadas a efeitos dos campos eletromagnéticos e que faz a principal crítica às conclusões da OMS e ICNIRP): http://www.bioinitiative.org/
• EMF-Portal (Página da Universidade de Aachen, Alemanha com informações sobre campos eletromagnéticos e problemas de saúde): http://www.emf-portal.de/_index.php?l=e
• ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção Contra Radiações Não Ionizantes): http://www.icnirp.de/